Amor sem rumo
No céu da boca, o meu desejo.
Em Mar Del Plata, da-me um beijo.
Verso & prosa. Dance um tango.
Num mar de rosas, eu quero te-la.
Seja assim, seja como for
mas seja somente tu
o meu amor.
Céu aberto em chão de estrelas.
Siderada, perdida e de todo incerta...
a corveta esbelta trafega o pélago
luar azul na noite, vagas infensas
tenaz como o holandês voador
rumando à estrela do pólo sul.
sábado, dezembro 01, 2007
terça-feira, março 27, 2007
POEMA TÉDIO

A minha poesia não tem cor, branca como eu
que é, exangue. Melhor mata-la com um tiro
de misericórdia, que vê-la perder-se num
poço sem fundo, procurando o senso médio.
A poesia que farei, daqui por diante,
não revelará, profundo, como o Chico Buarque,
o ente lírico de todas as mulheres do mundo.
Também não buscará rimar amor e dor.
Que asco! Deixará em paz a flor e o vernáculo.
Fartas doses de um tédio,
viscoso e inebriante,
não mais servirá à leitores condescendentes.
Anseio pela noite negra, sem cor.
Ao blackisbeautifful do mangue beat,
quero a cor inexistente da tarde,
o lapso da memnesis ardente.
Drummondianamente, as pedras no caminho
quero ver, para na retina, às reter e evitar o tropeço.
Quero a paz dos cemitérios e a dos sobreviventes.
Um poema roto, para o fim do planeta.
Nenhum para o seu recomeço.
Ai! Já me cansei de mistérios. Não quero mais
o cardo tema, senão o coração rubro pulsante,
traspassado por medieval lança,
ficando expostas as coronárias azuis.
Sem cateterismos literários,
não quero submergir na lambança
das emoções comuns, e emergir
ao soro de veias abertas na ácida madrugada.
O meu poema, que siga-me, à revolver
o solo com as mãos, a sentir o cheiro
úmido da terra, tendo a morte por espectro amigo.
Siga-me à perseguir, como poeta, a calma,
pois, já não consigo coisas,
alem da petulância de um oceano irredento,
e nem surpresas, alem do meu preciso plano,
de plantar Caju e Lima da Pérsia,
ou belas arvores florais num terreno
da Região dos Lagos, para que me ajudem
a colorir o cenário, enquanto os astronautas
dominam as estrelas do céu.
que é, exangue. Melhor mata-la com um tiro
de misericórdia, que vê-la perder-se num
poço sem fundo, procurando o senso médio.
A poesia que farei, daqui por diante,
não revelará, profundo, como o Chico Buarque,
o ente lírico de todas as mulheres do mundo.
Também não buscará rimar amor e dor.
Que asco! Deixará em paz a flor e o vernáculo.
Fartas doses de um tédio,
viscoso e inebriante,
não mais servirá à leitores condescendentes.
Anseio pela noite negra, sem cor.
Ao blackisbeautifful do mangue beat,
quero a cor inexistente da tarde,
o lapso da memnesis ardente.
Drummondianamente, as pedras no caminho
quero ver, para na retina, às reter e evitar o tropeço.
Quero a paz dos cemitérios e a dos sobreviventes.
Um poema roto, para o fim do planeta.
Nenhum para o seu recomeço.
Ai! Já me cansei de mistérios. Não quero mais
o cardo tema, senão o coração rubro pulsante,
traspassado por medieval lança,
ficando expostas as coronárias azuis.
Sem cateterismos literários,
não quero submergir na lambança
das emoções comuns, e emergir
ao soro de veias abertas na ácida madrugada.
O meu poema, que siga-me, à revolver
o solo com as mãos, a sentir o cheiro
úmido da terra, tendo a morte por espectro amigo.
Siga-me à perseguir, como poeta, a calma,
pois, já não consigo coisas,
alem da petulância de um oceano irredento,
e nem surpresas, alem do meu preciso plano,
de plantar Caju e Lima da Pérsia,
ou belas arvores florais num terreno
da Região dos Lagos, para que me ajudem
a colorir o cenário, enquanto os astronautas
dominam as estrelas do céu.
domingo, março 18, 2007
CANTORIA

Cantai. Nada me apressa mais.
Não me inquieta não ter para onde ir.
As frases não ditas,
Caíram-se como almas feitas una,
Sementes ao solo, novel verdejar,
Ecoando anosos desejos,
Como jardins à florir.
Cantai os delírios, poeta.
Cantai numa opera de gestos,
Os hinos célticos, cantai,
Tecei loas à deusa fortuna.
Os pássaros,
Que sobre os pomares, dançam
Ao vento elisio,
Que estirpem do teu peito,
O desatino.
O presente momento,
Dedica-o aos deuses, à Dionísio,
Que ainda haverá de vir, pois o amor
É como o vinho, sempre prevalece
E faz-nos espelhos da eternidade,
Nunca te abandona, nunca te esquece,
Num constante fluido a renascer.
E renasces no ruído da água,
Na alegria de um menino,
Nas épicas lembranças lusíadas,
Da batalha de Alcacer-kibir.
Cada homem, no mundo,
Não me inquieta não ter para onde ir.
As frases não ditas,
Caíram-se como almas feitas una,
Sementes ao solo, novel verdejar,
Ecoando anosos desejos,
Como jardins à florir.
Cantai os delírios, poeta.
Cantai numa opera de gestos,
Os hinos célticos, cantai,
Tecei loas à deusa fortuna.
Os pássaros,
Que sobre os pomares, dançam
Ao vento elisio,
Que estirpem do teu peito,
O desatino.
O presente momento,
Dedica-o aos deuses, à Dionísio,
Que ainda haverá de vir, pois o amor
É como o vinho, sempre prevalece
E faz-nos espelhos da eternidade,
Nunca te abandona, nunca te esquece,
Num constante fluido a renascer.
E renasces no ruído da água,
Na alegria de um menino,
Nas épicas lembranças lusíadas,
Da batalha de Alcacer-kibir.
Cada homem, no mundo,
Como Dom Sebastião, o infante,
É mó solitaria, rodando alhures,
Em roda do proprio pino.
E, mesmo sem se dar conta,
Faz mover os moinhos de sonhos,
Nos monjolos, a agua à correr constante,
Faz no tear da vida, urdiduras
Do seu proprio destino.
segunda-feira, março 12, 2007
O BARQUEIRO DO AQUERONTE

Prisioneiro sou de um prisma celeste
qual folha forra desprezada e inservível
a planar alçando a boreste.
Se de antanho me haviam por belo e galante
com a Estrela da Manhã encimando o meu norte
e quando voava então
asas triunfantes
vejo-me agora precipitado direto ao Hades.
Vou sem freio que me conteste.
Sou palha e mais que palha esquecimento
sigo etéreo ao sabor de toda sorte.
Para o cruzar do rio
cabal espero o barqueiro
à findar-se a travessia
alcançando momento derradeiro.
E só não seguirei tão sózinho
porquanto ainda como alento
me acompanhe a poesia
qual folha forra desprezada e inservível
a planar alçando a boreste.
Se de antanho me haviam por belo e galante
com a Estrela da Manhã encimando o meu norte
e quando voava então
asas triunfantes
vejo-me agora precipitado direto ao Hades.
Vou sem freio que me conteste.
Sou palha e mais que palha esquecimento
sigo etéreo ao sabor de toda sorte.
Para o cruzar do rio
cabal espero o barqueiro
à findar-se a travessia
alcançando momento derradeiro.
E só não seguirei tão sózinho
porquanto ainda como alento
me acompanhe a poesia
quarta-feira, março 07, 2007
A ULTIMA VEZ EM QUE FALO SOBRE A LUA

“Do luar, acho que já não
há mais nada a dizer”.
Gilberto Gil
Porque pode tanto, a lua, medievo satélite
Do eterno espanto, todo engano ainda,
Se já lhes sabemos os segredos,
Debelamos nossas ilusões, palmilhamos o vazião
De seu corpo celeste e cinza, medindo-lhe o tamanho
E o tamanho de nossos medos, que nas sombras
De tua luz, aprendemos a dominar.
O que mais nos ensina a lua, que as áridas
E entranhadas pedras do João Cabral,
Não nos puderam ensinar?
Se o homem, profanador por princípio, já conspurcou
O teu chão arenoso, Oh, lua, explorou precipícios,
Recolheu teus rochedos, fincou-lhe a bandeira imperialista,
Imitou teus cenários na desolação dos desertos
Geopolíticos e interiores, porque ainda fascinas?
Porque há, ainda, os que sob luz vermelha
Do teu luar eclipsado, poluído, teimam em se apaixonar?
Ou será que mentimos, os corações amantes,
Que Já para mais nada, acendem-se (tudo se esquece),
Nestes tempos de simulacro existencial.
O que dirá, se atinar para que se faça lua, ou reine
O profundo breu. O negrume intenso do nada,
De nada que oriente o eu-poético, quando o amor
De agora, só vale, prosaico, pelo que se
Recompense em sonida espécie.
A lua, já não nos ensina nada.
Mas, de lá, da solidão de seu limbo,
Nua e crua lua, um dia, o cosmonauta russo
Iuri Gagarin, estancou a Guerra fria, e falou:
“A terra, quando vista de cima, azula-se,
E, como anil, ela fica”. E era poesia, não era chiste.
Sobre a tal lua, planetóide passivo, o qual não se sabe ver,
São desde os primórdios, os mesmos sentires.
Hoje, por difícil o signo dos humanos momentos,
O amor-sentimento (como a pedra, como o sertão,
Como a verdade) não se explica, não serve mais
Para nada, vivendo na contramão. Apenas sei que ele
(como a lua) existe, e ainda alumia o viver.
domingo, março 04, 2007
POEMA PROSA DA FLOR FORMOSA

Quando a rosa amena,
se encontra com a azálea,
chora em seu ombro, à soluçar,
a flor poema.
Com intensidade, chora sentida,
e desencantada. Inveja a vida,
que se espraia livre,
da margarida, às margens de estradas infindas.
Inveja todas as flores, as mirradas e as feias,
as pluriformes, inominadas, marias sem-vergonha,
ou, mesmo, as francas orquídeas, tão lindas.Que benção, então, seria (pensa a rosa),
não ter o peso de tal beleza.
E, que não existissem amantes ou os poetas,
que lhe quisessem atribuir alguma precisa serventia,para as inefáveis artes da humana sedução:
"De que vale ser, assim, tão bela, como sou,
se permaneço escrava desta inata condição".
MITOLOGIAS PATRIAS

Libertas, quae sera dia
O teu desejo
Inda que obscuro.
As quimeras
De teu quarto escuro
Vão devorar-te
Na Nova Acrópole
Da devassidão.
Nas tórridas terras brasilis
Do caju e da floresta sem fim
Imersas na bruma malsã
Iara e Janaína te convidam
Para um trotoir.
Vai junto o Caipora, tocando a flauta de Pã.
O lobo Guará e o tamanduá
De desfraldadas bandeiras.
O jacarandá e o pé de feijão.
Mitos, tesão e letargia, os bens do Brasil são.
CINZA INTERIOR
A Ferreira Gullar
A casa é presença
chão com falhas que esconde
o cisco de ovo não varrido.
A casa recende à café da manhã
e a outros cheiros de um dia
começando, misturado
aos ficados da noite.
A casa é o trabalho dos anos
a oclusão de cantos
a ruminação dos insetos.
A casa é o vento da tarde.
É a espera pela chuva, para o viver do telhado.
A casa é a saudade. É o beiral de abrigar ninhos
algaravia das andorinhas. Amor de pai/prontidão
de filho, promessas da eternidade.
A casa é vinho do porto, acalentando a noite fria.
É noite de amor lúbrico. A casa é choro de criança.
Lugar de morte e vigília.
A casa é a casa da fazenda, avistando da varanda
os pastos no vale umbrífero, lá no longe da memória.
A casa é útero ubérrimo à parir aconchegos
e a preguiça doce de ser.

A casa é presença
chão com falhas que esconde
o cisco de ovo não varrido.
A casa recende à café da manhã
e a outros cheiros de um dia
começando, misturado
aos ficados da noite.
A casa é o trabalho dos anos
a oclusão de cantos
a ruminação dos insetos.
A casa é o vento da tarde.
É a espera pela chuva, para o viver do telhado.
A casa é a saudade. É o beiral de abrigar ninhos
algaravia das andorinhas. Amor de pai/prontidão
de filho, promessas da eternidade.
A casa é vinho do porto, acalentando a noite fria.
É noite de amor lúbrico. A casa é choro de criança.
Lugar de morte e vigília.
A casa é a casa da fazenda, avistando da varanda
os pastos no vale umbrífero, lá no longe da memória.
A casa é útero ubérrimo à parir aconchegos
e a preguiça doce de ser.
quinta-feira, março 01, 2007
BRINCANTE

mal terminada aquela chuva
que à semanas castigava
andou em cabriolas pela calçada da rua
e a cada mocinha que encontrava
dizia que esta era a sua
namorada tão ladino em constante gargalhada
que a cidade veio ver quem fazia a palhaçada
chapinhado poças d´agua
nas esquinas e dizendo tais gracejos as meninas
veio de lá o prefeito veio o padre e o cachorro
do delegado ao notário os imortais da academia
que trouxeram o abecedário
veio gente de todo lado
e todos num amontoado sem nexo
com cara de espanto em vetusta multidão
boquiabertos perplexos ali ali
adiante o astro sol brincando brilhando
pulando as pocinhas do chão.
que à semanas castigava
andou em cabriolas pela calçada da rua
e a cada mocinha que encontrava
dizia que esta era a sua
namorada tão ladino em constante gargalhada
que a cidade veio ver quem fazia a palhaçada
chapinhado poças d´agua
nas esquinas e dizendo tais gracejos as meninas
veio de lá o prefeito veio o padre e o cachorro
do delegado ao notário os imortais da academia
que trouxeram o abecedário
veio gente de todo lado
e todos num amontoado sem nexo
com cara de espanto em vetusta multidão
boquiabertos perplexos ali ali
adiante o astro sol brincando brilhando
pulando as pocinhas do chão.
quarta-feira, fevereiro 28, 2007
ANJO ERRANTE
Dirte-ei: Sou o anjo erranteQue nos vales da vida vagueia
Arrastando sua mesma sombra
Ao sabor das sombras alheias.
Com as mesmas asas dobradas
Em cruz sobre o peito arfante
Sigo pela noite anjo insone
Incapaz de prover um milagre
Ido de pouso em pouso
Algo delirante e exposto
À luz de uma lua sombria.
Vago tonto condenado eternamente
Nas hordas celestiais o meu nome
Não se fala este já defenestrado.
O Deus que me sentencia
A estar assim exilado
Estando por certo ocupado
Quem sabe eu não te convido
A desfrutares comigo
Deste encontro inusitado?
Imposto me foi não ter um amor
Que seja vitimado a viver sozinho
E nem sequer me permitem
Encontrar para o corpo o repouso.
Mas se quiserdes cear amiga
Sentemo-nos no prado verde.
Ainda tenho um naco de pão
Duas maçãs tão cheirosas
Uma botija de vinho
E de ancestral esta sede.
IMERSÃO NO LUSCO-FUSCO

Alguns signos que se erguem,
Como emblemas de anunciação
Aos elementos me levam,
Gotas de chuva, torrentes,
Sementes, ventos furtivos,
Segredos de aluvião.
Quando o sol se faz presente,
No estio, carrega o vento,
E ofusca o fugaz momento.
À tona, o lusco das pedras raras,
Mistura-se ao brilho da paixão.
Se radicam os sentimentos,
Outrora, tão compassivos.
O corpo toma-se,
De cobiças dormentes.
A volição de um mormaço,
Que é prana, vital energia.
Basta o aroma ávido da terra,
E um beijo roubado a ninfa,
Que a esta lírica elegia,
Tão doce, vem alumbrar.
Oh, tais tontearias que me fazem
Em êxtase, caminhar sobre águas.
Pelo o rastro da maresia, ir-me,
Seguindo, e, no intimo, repetindo,
O heróico ânimo de uma grácil bateira,
Rompendo as tormentas no mar.
Como emblemas de anunciação
Aos elementos me levam,
Gotas de chuva, torrentes,
Sementes, ventos furtivos,
Segredos de aluvião.
Quando o sol se faz presente,
No estio, carrega o vento,
E ofusca o fugaz momento.
À tona, o lusco das pedras raras,
Mistura-se ao brilho da paixão.
Se radicam os sentimentos,
Outrora, tão compassivos.
O corpo toma-se,
De cobiças dormentes.
A volição de um mormaço,
Que é prana, vital energia.
Basta o aroma ávido da terra,
E um beijo roubado a ninfa,
Que a esta lírica elegia,
Tão doce, vem alumbrar.
Oh, tais tontearias que me fazem
Em êxtase, caminhar sobre águas.
Pelo o rastro da maresia, ir-me,
Seguindo, e, no intimo, repetindo,
O heróico ânimo de uma grácil bateira,
Rompendo as tormentas no mar.
sábado, fevereiro 24, 2007
RODAR CATIVO

Os minutos se passam
quase audíveis
em refrão recorrente.
As horas se somam
plausíveis
cheias de promessa e sem nada deixar.
Os dias escorrem
entre os dedos
ceifados do calendário
e cerzidos na pele dos homens.
Os anos morrem
Amiúde
a cada manhã
retirados das pretensões gregorianas.
Como um filete no engenho d’água
os minutos, as horas, os dias e os anos
num rodar cativo, errático desperdício
incontrolável, surda repetição.
quase audíveis
em refrão recorrente.
As horas se somam
plausíveis
cheias de promessa e sem nada deixar.
Os dias escorrem
entre os dedos
ceifados do calendário
e cerzidos na pele dos homens.
Os anos morrem
Amiúde
a cada manhã
retirados das pretensões gregorianas.
Como um filete no engenho d’água
os minutos, as horas, os dias e os anos
num rodar cativo, errático desperdício
incontrolável, surda repetição.
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
A MULHER DO QUARTO BRANCO

Recordo quando mirava
em abandono e transe místico
teu corpo nu, puro e branco
como a beleza simples de um vôo
definitivo como a evidência da partida.
Por alguns segundos, eras a aparição
da virgem, com os pêlos à mostra
de tez tão clara, com tão intensa fugacidade
que num sopro explodias, divinal melancolia
teu orgasmo sobre a noite
reacendendo o fulgor de um pleno dia.
Como rememorar este teu corpo
lânguido e pecaminoso?
Como olvidar o teu pranto
que nos devolvia a brisa
pelas artes de uma oração
à tarde quente?
Lembro-te como um vento brando
viração, aragem, fazendo fremer
de maleita santa as imposturas
de minha lasciva carne
minha alma perdida
e os objetos
de teu quarto branco.
em abandono e transe místico
teu corpo nu, puro e branco
como a beleza simples de um vôo
definitivo como a evidência da partida.
Por alguns segundos, eras a aparição
da virgem, com os pêlos à mostra
de tez tão clara, com tão intensa fugacidade
que num sopro explodias, divinal melancolia
teu orgasmo sobre a noite
reacendendo o fulgor de um pleno dia.
Como rememorar este teu corpo
lânguido e pecaminoso?
Como olvidar o teu pranto
que nos devolvia a brisa
pelas artes de uma oração
à tarde quente?
Lembro-te como um vento brando
viração, aragem, fazendo fremer
de maleita santa as imposturas
de minha lasciva carne
minha alma perdida
e os objetos
de teu quarto branco.
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
A LUA NO BREU

A lua, quando nasce, é um cisco
Semente... serenata
Flutuando ao léu.
De corpo crescente ou minguante
Uma nau brincante no céu
Que navega e reluz
Entre as estrelas
Entalhes de prata
Luz que silencia no alto
Um enigma que a todos conduz.
Caminhemos, tu e eu
Em alento, júbilo de peregrino
Pela clara beleza da noite
Enquanto a lua, agora plena
Vai desafiando o breu.
Claudia Gonçalves & Ricardo Reis
Semente... serenata
Flutuando ao léu.
De corpo crescente ou minguante
Uma nau brincante no céu
Que navega e reluz
Entre as estrelas
Entalhes de prata
Luz que silencia no alto
Um enigma que a todos conduz.
Caminhemos, tu e eu
Em alento, júbilo de peregrino
Pela clara beleza da noite
Enquanto a lua, agora plena
Vai desafiando o breu.
Claudia Gonçalves & Ricardo Reis
PARA QUE METAFORAS?

A Alberto Caeiro
A poesia
em acorde de sinfonia
em sonhos, metaforas
nada nos fala
à tudo que importa
apenas silencia.
Só deve haver
o devido alarido
quando a verdade
da poesia
se aproximar da que
se vê na vida.
Ai, soma-se, então
um que de lirismo
uma pitada avulsa
de melancolia
e pronto, voilá:
Uma poesia realista
e altiva. Mesmo que sem
nenhum grande alarde
ainda que
para as dores do mundo
não seja a solução definitiva.
A poesia
em acorde de sinfonia
em sonhos, metaforas
nada nos fala
à tudo que importa
apenas silencia.
Só deve haver
o devido alarido
quando a verdade
da poesia
se aproximar da que
se vê na vida.
Ai, soma-se, então
um que de lirismo
uma pitada avulsa
de melancolia
e pronto, voilá:
Uma poesia realista
e altiva. Mesmo que sem
nenhum grande alarde
ainda que
para as dores do mundo
não seja a solução definitiva.
VENTO MINUANO
Se eu versejo, sobretudo,
pelo o que na terra
em lume se assenta,
é só mesmo quando
eu eu te vejo, musa e poeta,
é que, então, eu vejo tudo.
E ai, eu tento sonir o arpejo,
a prima ode, um beijo na boca
da noite, que se faz silente, silente,
quando o teu minuano venta.
E este teu vento plano,
poeta e musa, como no Mar Egeu
ao encanto das linguas mortas,
cala ainda mais o já mudo verso meu.
pelo o que na terra
em lume se assenta,
é só mesmo quando
eu eu te vejo, musa e poeta,
é que, então, eu vejo tudo.
E ai, eu tento sonir o arpejo,
a prima ode, um beijo na boca
da noite, que se faz silente, silente,
quando o teu minuano venta.
E este teu vento plano,
poeta e musa, como no Mar Egeu
ao encanto das linguas mortas,
cala ainda mais o já mudo verso meu.
FESTA NO CÉU

Nossos atos nos escravizam
mais do que nos libertam
pois nos fixam em um momento
um infinito de tempo, um lapso
alem da boa sorte, aquém do arrependimento.
Escravos, tambem o somos
dos desejos, a fora os atos, e estes nos torturam
e matam, como os militares
de sessenta e quatro
torturaram e mataram jovens idealistas
assim, sem nenhuma emoção.
Nossos amores são promessas vãs
de permanecia eterna, pois o mais
perto que chegamos, é de lançar olhares lânguidos
algo tristes, por sobre os muros da humana contenção.
Devolvamos nossas almas à liberdade do eterno plano.
Quiçá seremos, afinal, felizes
observando-as à voar
levando nossos sentimentos encarnados
em passaros exóticos, tuiuius, fenix, urubús
tucanos e jaburus (sim, os belos jaburús)
pois só passaros tão grandes podem arrastar nosso éter
flamas dilatadas de amar e de sofrer
até a alegria da grande Festa no Céu.
mais do que nos libertam
pois nos fixam em um momento
um infinito de tempo, um lapso
alem da boa sorte, aquém do arrependimento.
Escravos, tambem o somos
dos desejos, a fora os atos, e estes nos torturam
e matam, como os militares
de sessenta e quatro
torturaram e mataram jovens idealistas
assim, sem nenhuma emoção.
Nossos amores são promessas vãs
de permanecia eterna, pois o mais
perto que chegamos, é de lançar olhares lânguidos
algo tristes, por sobre os muros da humana contenção.
Devolvamos nossas almas à liberdade do eterno plano.
Quiçá seremos, afinal, felizes
observando-as à voar
levando nossos sentimentos encarnados
em passaros exóticos, tuiuius, fenix, urubús
tucanos e jaburus (sim, os belos jaburús)
pois só passaros tão grandes podem arrastar nosso éter
flamas dilatadas de amar e de sofrer
até a alegria da grande Festa no Céu.
CONTRAPONTOS
o amor são os contrapontos
os inversos os signos trocados
ausente/presente que só se resolvem
nos interditos nos interditados
e nas permissividades
no alento e na contenção/explosão
no vôo da grou na queda no tempo
o tempo dilatado de um suspiro
é a eternidade!
O amor como um ente para contar-se
entre a plausibilidade da cópula
como uma condição prosaica
farsesca e a existência insistente
da poesia como língua atonal própria
aos amantes deve saber que amar
não é dimensão naturalista
é a magia a falta de fôlego enfisema pulmonar
provocado pelos suspiros de espera desta espera
inquieta incontida um pico na veia
pra fazer correr moléculas de uma alegre insânia
os inversos os signos trocados
ausente/presente que só se resolvem
nos interditos nos interditados
e nas permissividades
no alento e na contenção/explosão
no vôo da grou na queda no tempo
o tempo dilatado de um suspiro
é a eternidade!
O amor como um ente para contar-se
entre a plausibilidade da cópula
como uma condição prosaica
farsesca e a existência insistente
da poesia como língua atonal própria
aos amantes deve saber que amar
não é dimensão naturalista
é a magia a falta de fôlego enfisema pulmonar
provocado pelos suspiros de espera desta espera
inquieta incontida um pico na veia
pra fazer correr moléculas de uma alegre insânia
LINGUISTICA

A poesia é proverbial
e de grande serventia
por explicar a afeição
dotar de asas a rebeldia
aquilatar o que se vê
dar valor ao que se cria.
O amor só se entende
longe da monotonia
e o poeta tem por oficio
recolher a tais emoções
tanto que, dos confins
da terra, vai ao céu
atrás de musas quietas
em busca da parceria
das airadas Marias
sejam elas mulheres belas
sejam as feias, ou as etéreas
e, ainda, aquela tão linda
que, por augusta, passeia
num mafuá de província
em roda, no carrossel.
A mulher, por mais triste
mirrada ou pequena
é musa, e tem o seu vate
que a proclama em poema.
Ele, andarilho, vem da região
do encanto, verter-lhe o sumo
da vida, trazendo o amor por dístico.
É por isto que a poesia, em tudo que fala
amplia, faz de um simples beijo, um verso
algo muito mais do que corpo, do que sexo
do que lânguido, algo
por assim dizer - lingüístico.
e de grande serventia
por explicar a afeição
dotar de asas a rebeldia
aquilatar o que se vê
dar valor ao que se cria.
O amor só se entende
longe da monotonia
e o poeta tem por oficio
recolher a tais emoções
tanto que, dos confins
da terra, vai ao céu
atrás de musas quietas
em busca da parceria
das airadas Marias
sejam elas mulheres belas
sejam as feias, ou as etéreas
e, ainda, aquela tão linda
que, por augusta, passeia
num mafuá de província
em roda, no carrossel.
A mulher, por mais triste
mirrada ou pequena
é musa, e tem o seu vate
que a proclama em poema.
Ele, andarilho, vem da região
do encanto, verter-lhe o sumo
da vida, trazendo o amor por dístico.
É por isto que a poesia, em tudo que fala
amplia, faz de um simples beijo, um verso
algo muito mais do que corpo, do que sexo
do que lânguido, algo
por assim dizer - lingüístico.
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